um desenho de duas mãos cortando uma árvore com uma tesoura

também disponível para: Etiópia, Guatemala, Honduras, Indonésia, Tanzânia, Uganda

Aplicável para:
Arábica, Robusta

106⸱AConceito

  • Aumenta a produtividade do café
  • Rejuvenesce os cafeeiros
  • Melhora a tolerância da planta de café à seca
  • Cria condições menos favoráveis a pragas e infestações de doenças

A reabilitação do café inclui práticas agronômicas como poda e recepa, entre outras, que ajudam a rejuvenescer os cafeeiros.

A planta de café começa a produzir frutos entre o segundo e o terceiro ano após o plantio, atingindo sua produção máxima entre seis e oito anos de idade. Depois disso, sua produtividade começa a diminuir, embora possa continuar em um nível mais baixo por cerca de 25 a 30 anos, chegando a 40 ou 50 anos, dependendo da região. Portanto, é necessário renová-la por meio de podas ou substituição.

Para aumentar a produtividade por árvore e prolongar seu período produtivo, recomenda-se aplicar regularmente técnicas de reabilitação. Além disso, elas podem ajudar a compensar os efeitos de pragas e doenças e a deterioração das árvores causada por práticas agrícolas inadequadas.

Poda como uma técnica de reabilitação envolve a eliminação de ramos improdutivos, danificados ou mortos. Ao fazer isso, mais água e nutrientes ficam disponíveis para as partes restantes e saudáveis da árvore. Isso resulta em cafeeiros mais saudáveis e bem estruturados, capazes de produzir rendimentos mais elevados. Além disso, eles são mais tolerantes à seca devido à maior eficiência no uso da água.

A poda também melhora a disponibilidade de luz e aumenta a circulação de ar, o que pode reduzir a umidade e equilibrar o microclima, especialmente durante chuvas excessivas causadas pelas mudanças climáticas. Isso pode ajudar a conter o desenvolvimento de fungos.

Recepa é uma técnica de reabilitação que consiste em cortar o(s) caule(s) do cafeeiro. Essa prática rejuvenesce a planta ao reiniciar o ciclo de crescimento, permitindo que a cepa desenvolva brotações jovens e vigorosas. Esses novos brotos revitalizam o cafeeiro, resultando em maior produtividade e aumento da produção de cerejas ao longo do tempo.

Desbrota é uma subforma de poda e, em algumas regiões, também é considerada uma prática de reabilitação. Nela, são removidos os chamados brotos ladrões. “Brotos ladrões” ou brotos ortotrópicos são rebentos que crescem verticalmente a partir do tronco ou de ramos mais antigos. Eles devem ser removidos para evitar competição por água e nutrientes.

106⸱BPara ser considerado

Além disso, as práticas de reabilitação devem ser acompanhadas por outras Boas Práticas Agrícolas (BPA) para otimizar seus benefícios, incluindo práticas de adubação orgânica e de correção (calcário, gesso, matéria orgânica) com base em análises de solo, bem como manejo integrado de pragas e doenças.

A reabilitação também oferece a oportunidade de começar o consórcio com culturas de curto prazo, como milho e feijão (ver Plantas de cobertura), utilizando cobertura morta seca (ver Cobertura morta) e integrando árvores companheiras para manejo de sombra, etc. (ver Árvores companheiras).

A poda deve ser aplicada a cafezais com densidade adequada de plantas (superior a 3000 plantas por hectare) e a cafeeiros livres de problemas radiculares.

Além das práticas de reabilitação, como poda e recepa, especialistas sugerem que os cafeicultores substituam as plantas de café após o fim de sua vida produtiva. As partes correspondentes da lavoura podem ser renovadas/replantadas ano após ano. Dessa forma, a carga de trabalho é distribuída e mantém-se sempre um bom equilíbrio entre árvores produtivas e novas. Você pode encontrar essa prática de renovação/replantio aqui: Renovação de Lavoura de Café ferramenta.

A regeneração e reabilitação dos cafeeiros ajudam a aumentar a produtividade geral do café, levando a níveis mais altos de produção e a um aumento da renda dos cafeicultores.

Tempo

A reabilitação deve ser realizada regularmente, dependendo da técnica. Para mais detalhes, consulte o procedimento abaixo.

106⸱CImplementação

Materiais

106⸱1Procedimento

Poda

A melhor época para podar o cafeeiro é logo após a colheita principal de cada ano, pois a planta se encontra em estado de repouso vegetativo nesse período.

Dica

Durante a colheita é um bom momento para identificar árvores e ramos de baixa produção.

106⸱2

Atenção

Ramos próximos ao chão podem servir de porta de entrada para pragas e doenças, por isso também devem ser podados.

Dica

É importante usar ferramentas de poda afiadas e limpas para fazer cortes precisos que minimizem os danos à árvore e reduzam o risco de infecção.

Dica

A poda pode incluir o corte do topo da árvore. Isso serve para interromper o desenvolvimento vertical da planta e estimular o crescimento lateral ou plagiotrópico.

106⸱3

106⸱4

Stumping

A recepa consiste em cortar o caule da planta para renovar completamente os tecidos velhos e exauridos com tecidos novos e produtivos. Trata-se de uma renovação drástica, que só deve ser realizada depois que outras práticas tiverem sido executadas, como a poda.

Em geral, os cafeeiros devem ser recepados pela primeira vez aos 10 anos de idade – de preferência após a colheita. Depois disso, recomenda-se repetir o procedimento a cada 7 anos. No entanto, a escolha das plantas para recepa também depende das condições agroecológicas. Em áreas baixas, quentes e úmidas, os cafeeiros tendem a perder produtividade ainda jovens, de modo que a recepa costuma ser feita por volta dos 10 a 12 anos de idade. Em regiões de clima mais ameno, a recepa é realizada mais tarde, nunca antes dos 15 anos. Em áreas de café sob floresta, onde a recepa é aplicada após queda de produção, é fundamental avaliar cuidadosamente o espaçamento entre plantas e entre linhas para manter a população ideal de cafeeiros por hectare.

Outros motivos para a recepa além da idade da árvore incluem:

  • uma redução drástica na produtividade das árvores,
  • infestação de pragas e doenças,
  • que é necessário mais espaço no terreno,
  • cafeeiros após geadas severas,
  • ou que as árvores cresceram demais para serem colhidas com facilidade.

De qualquer forma, a árvore recepada ainda deve ter um sistema radicular forte para se recuperar bem e rapidamente.

Dica

Se todo o talhão for recepado de uma só vez, o consórcio com culturas anuais pode garantir uma fonte de renda no ano em que não houver produção de café.

106⸱5

Dica

Mantenha sempre o serrote de poda, o serrote de arco e a tesoura de poda lubrificados para evitar ferrugem causada por desinfetantes e seiva das árvores.

106⸱6

Corte os ramos e caules:

Atenção

É recomendável manter os ramos ativos no tronco durante a poda, pois isso garante que os ramos inferiores localizados abaixo do corte de desponte favoreçam a geração de brotações.

Dica

Em áreas com muita chuva, recomenda-se aplicar um fungicida ou uma pasta à base de cobre no local do corte da planta para prevenir o ataque de doenças fúngicas.

106⸱7

Dica

Um cafezal recepado oferece uma boa oportunidade para começar a cultivar Plantas de Cobertura ou usar Cobertura Morta seca ou integrar Árvores Companheiras. Agora, é importante proteger o solo entre os cafeeiros, pois a copa foi removida e há luz suficiente disponível para o crescimento das Plantas de Cobertura.

106⸱8

Um cafeeiro geralmente volta a produzir café de um a dois anos depois de ter sido podado drasticamente.

106⸱9

Desbrota

A desbrota pode ser feita várias vezes ao longo do ano. Em plantas produtivas, recomenda-se remover os brotos duas vezes por ano, em maio e outubro. A primeira desbrota deve ser feita quando os brotos no porta-enxerto tiverem de 3 a 4 meses de idade. A segunda deve ser realizada de 2 a 3 meses após a primeira.

106⸱DBenefícios econômicos

Maior rendimento de café

Os efeitos desta técnica podem levar a um maior rendimento do café e, consequentemente, a uma renda mais alta.

Redução de perdas

Esta técnica pode prevenir perdas na produção e qualidade do café.

Redução dos custos de fertilizantes

Esta técnica permite uma menor demanda por fertilizantes sintéticos e, portanto, economiza custos de insumos ao longo do tempo.

Redução dos custos com pesticidas

Esta técnica reduz a necessidade de pesticidas químicos e, portanto, economiza custos de insumos ao longo do tempo.

106⸱EBenefícios verdes

Menos fertilizantes sintéticos necessários

Esta técnica reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos. Isso diminui as emissões de carbono e a poluição da água, melhora a vida do solo e economiza recursos.

Menos pesticidas necessários

Esta técnica reduz a necessidade de pesticidas químicos. Isso diminui a poluição da água, protege o ecossistema, melhora a vida do solo e economiza recursos.

Equilibra o microclima local

Esta técnica ajuda a equilibrar o microclima local. Isso ajuda a mitigar vários efeitos das mudanças climáticas.

106⸱GComentários